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COLUNA DO ALEXANDRE SALEM: OS 122 ANOS DE CODÓ

1780 é o ano que marca o início do povoamento pelo homem branco; por aqui já perambulavam felizes índios tapuias e guanare’. Consta que Luiz José Rodrigues foi dos pioneiros a desbravar a região onde hoje está situado Codó. Passados 53 anos desde que os primeiros exploradores apoitaram por aqui, por resolução Régia assinada a 19 de abril de 1833 foi o povoado Codó elevado a vila; permanecendo por 63 anos nessa categoria. Somente com a lei estadual número 13 sancionada a 16 de abril de 1896 pelo governador Alfredo de Cunha Martins foi que Codó ascendeu a categoria de cidade. O rio Itapecuru foi a grande estrada por onde navegaram os primeiros desbravadores. E não só os primeiros. Há registro na história da cidade da passagem do presidente Afonso Pena, que aqui desembarcou do vapor São Salvador em 1900. A bordo a água consumida era a do rio, tão estreme que o presidente e sua comitiva bebiam apenas coada com panos. Afonso Pena houvera se deslumbrado com a exuberância da mata ciliar, que aqui e acolá estendia seus galhos para suas folhas viçosas, pretextando gratidão pela vida, delambessem o lombo largo do rio — cujo murmulho da correnteza contra a quilha do vapor em harmonia com a sinfonia de xexéus, pegas, corrupioes, sabiás, e outros bichos de pena, faziam a trilha sonora da trilha bucólica do presidente Pena. Em seu dicionário histórico e geográfico da província do Maranhão, César Marques vincula o nome Codó ao rio videozinho. Historiadores mais fantasiosos atribuem o nome Codó a uma derivação de codorna; porém só há registro da avezinha no território maranhense a partir do início do século vinte; portanto, posterior ao nome. A origem mais embasada para o nome Codó provém dos primeiros desmatamentos, que coincide com a trágica morte do jesuita João Vilar durante conflito entre tribos guanare’ e tapuias barbados. Assim que soubera da morte do padre Vilar, o governador Bernardo Pereira de Berredo, que só queria um pezinho para exterminar a população silvícola, numa exibição de zelo com a amizade pelo padre não hesitou em mandar aniquilar ambas as tribos. Foi aí que, com o território praticamente livre dos seus donos originais, o malvado governador doou suas terras para a exploração branca. E no final do século dezoito o comendador Pau Real é enviado para explorar a extração de madeira no território delimitado entre a margem direita do codozinho e a margem esquerda do Itapecuru — justo o local onde floresceu a cidade. Com a derrubada das grandes árvores, sobraram os codos — que nada mais são do que tocos avantajados. Daí derivou “codorio”, que é uma coleção de codos. Com o tempo o povoado teve o nome abreviado de codorio para Codó (foi o que pesquisei). Entretanto, ao consultar no Aurélio o verbete “codorio”, lá está como substantivo masculino, cujo significado não passa de um trago de vinho ou de cachaça. E para “codo’, tampouco encontrei significado condizente para tocos. Consta na Wikipédia que a imigração de sírios e libaneses a partir de 1887 foi decisiva para o florescimento do comércio; haja vista a tradição milenar Fenícia no comércio, de onde descende o povo libanês.

Por: Alexandre Salem, Romancista e ex-deputado

Categoria: Geral
  • Professor Codoense diz:

    Melhor texto até agora sobre os 122 anos de nosso município. Parabéns pela pesquisa e pelo presente aos codoenses – um pouco de sua história.

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