POR JACINTO JÚNIOR: A COPA E AS ELEIÇÕES

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Jacinto Júnior

A mística futebolística faz parte do imaginário popular brasileiro. Não há paixão maior do que esta em toda face terrestre. O resultado dessa paixão se consolida na presença de nosso país em todas as Copas já realizadas e, delas, conquistamos cinco vezes o título. Um feito jamais visto por outra nação!

A sessenta e cinco anos atrás, o Brasil perdia a Copa em casa. O nosso carrasco foi o uruguaio Ghiggia desempatando o jogo aos 79 minutos do final da partida. Esperamos que não haja nenhuma surpresa como a que ocorrera no “maracanaço” naquele fatídico 16 de julho de 1950. Naquele jogo fabuloso havia 199.854 pessoas torcendo juntas por sua Seleção.

Sobre essa Copa (2014) que está sendo realizada em nossa pradaria há uma sensação e um sentimento de prazer e insatisfação – que, a priori, parece indicar uma contradição – internalizada em cada brasileiro e brasileira, mas, o fato concreto é que o espírito e a áurea dominante é a alegria de torcer por nosso canarinho amarelo. Quero nesse pequeno texto argumentar alguns pontos que a mídia conservadora – especialmente a Rede Globo parceira dos megaempresários e que deu sustentação ao famigerado regime militar – tem posto para gerar uma situação de desconforto para o governo federal e, ao mesmo tempo, insinuar um paralelismo junto ao processo eleitoral tentando com isso, inclinar a população a se revoltar contra o PT e o governo de Lula e Dilma Rousseff.

Aproveitando a “onda” articulada pelo novo quadro editorial redesenhado por este miserável sistema de comunicação, outras redes e rádios a acompanha. É muito sintomática a forma como se comporta toda a mídia de direita e conservadora.

Vamos então aos fatos “proeminentes” colocados pela mídia conservadora – amiga da elite econômica e política nacional e inimiga da classe trabalhadora.

Basicamente seis questões dominam o debate que gira em torno da Copa, a saber:

  1.  Portos,
  2.  Aeroportos,
  3.  Segurança,
  4.  Turismo,
  5.  Telecomunicações,
  6.  Mobilidade urbana.

Os gastos previstos para a realização da Copa das Copas foi orçado em R$ 25,6 bilhões. Vejamos quanto foi destinado para cada área citada acima para oferecer a Copa ao Mundo: infraestrutura (R$ 17,6 bilhões) que inclui: portos R$ 600 mi; aeroportos R$ 6,3 mi; segurança R$ 1,9 bi; telecomunicações R$ 400 mi; turismo R$ 200 mi; e mobilidade R$ 8 bi. Esse é o orçamento global da Copa.

Ainda sobre a Copa e as projeções de investimentos, vejamos o que confirma uma das mais respeitadas instituições deste país no quesito custo-benefício: “Levantamento da Fundação de Estudos e Pesquisas Econômicas (FIPE), ligado à USP, estimou que a Copa das Confederações em 2013, com a presença de ¼ do número de seleções presentes na Copa do Mundo e com apenas 16 jogos (contra 64 da Copa do Mundo) acrescentou R$ 9,7 bilhões ao PIB. A expectativa é que a Copa do Mundo acrescente mais R$ 30,0 bi ao PIB, valor superior ao total R$ 25,6 bilhões, incluídos no plano de investimentos das cidades-sede é muito maior do que o gasto de R$ 8,0 bilhões em estádios”. Portanto, o retorno ao governo federal será superior e muito aos investimentos feitos para a realização da Copa como se verifica nos números apresentados. Vejamos outro detalhe importante sobre os investimentos na Copa que vem sendo sistematicamente criticado pela oposição principalmente pela mídia conservadora. Para reforma e modernização dos estados o valor orçado foi na ordem de R$ 8,0 bi.  Dividido da seguinte forma: R$ 4,0 bi repartidos entre os Estados/Municípios e ente privados e a outra metade o governo federal emprestou e que serão devolvidos com juros ao BNDES. Além disso, é bom frisar de maneira enfática a respeito dos recursos destinados aos estádios e compará-los ao investimento na área da educação e da saúde no mesmo período, vamos aos números? No período de 2010/2013 o PIB arrecadou uma receita na ordem de R$ 18,8 trilhões (IBGE), isto representou um percentual de 0,04% incidindo sobre o valor de R$ 8,0 bi destinados aos estados e, por outro lado, foi investido no mesmo período na educação e saúde a ci fra de R$ 825,3 bilhões, ou seja, uma escala ascendente 100 vezes superior em relação aos R$ 8,0 bilhões destinados à reforma e modernização dos estádios.

Mas, aprofundemos ainda mais, a questão de investimento no país. Segundo Miragaya, “os Investimentos Externos Diretos (IED) que foram introduzidos no Brasil no ano de 2013, foi na ordem de U$ 64 bi, que representou cerca de 70% acima do recebido pelo México (U$ 38 bi), e o quádruplo do recebido pela Colômbia (U$ 16,7 bi). No Peru, o IED caiu 17% em 2013 e no Chile 29%. Então, por que os investidores estrangeiros insistiriam em investir num país que na opinião dos analistas tupiniquins vai de mal a pior?”

Finalizando essas considerações a respeito da Copa e o reflexo sobre as eleições para a presidência do Brasil externo meu posicionamento da seguinte forma:

ü  A elite econômica e política nacional não “engolem” o modelo socialdemocrata (menos ofensivo ao povo) gerenciado pelo PT, o Lula e a presidente Dilma Rousseff;

ü  Pela primeira vez na história a distribuição de riqueza produzida pela classe trabalhadora está sendo distribuída aos verdadeiros produtores;

ü  Os indicadores econômicos apontam para a melhoria das condições materiais de vida da população menos favorecidas historicamente;

ü  A classe média cresceu e trocou o ônibus pelo avião, o brioche pelo shopping center e, isso, tem incomodado a burguesia.

ü  Enfim, mais uma vez, o PT e o governo Dilma serão reconhecidos como um projeto de mudança e reconduzidos ao Palácio da Alvorada.

Por Jacinto Júnior

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