POR JACINTO JÚNIOR: A DOXOLOGIA DA EXTREMA-DIREITA CODOENSE E A REFINADA MERITOCRACIA

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Jacinto Júnior

Alçar ao píncaro e à condição de um homem infalível e altamente preparado para governar e governar bem tem sido o exercício cotidiano da mídia conservadora local de propriedade do multimilionário empreendedorista. Essa sistemática investida do agrupamento político da extrema-direita tem causado forte repercussão no meio político e, especialmente, junto ao eleitorado menos desavisado de que o “garoto virtual” é a grande sacada para o deslocamento de uma realidade casuística, problemática, atrasada, para outra absolutamente desenvolvimentista e com justiça social para todos.

O discurso que vem sendo propugnado pela ala da extrema-direita (tendo o multimilionário empreendedorista como o ‘mais perfeito’ de todos os homens que pisam sobre este sagrado pedaço de torrão chamado mãe-terra) canaliza a uma dicotomia: a) de um lado, a ideia polivalente de que o “garoto virtual” é um homem público popular e carrega consigo a humildade; b) de outro, a tentativa de seduzir o povo com chavões celebres do tipo: “é o mais preparado”, é o mais “bonito de todos os candidatos” – essa foi de um mestre! Mestre esse que agoniza em seu sacrilégio sacerdotal; “é o semideus” disposto a entregar-se pela causa dos humildes, assim como fizera Teseu (vide o longa ‘Fúria de Titãs’) para amenizar as divergências entre os humanos e os deuses olimpianos; “é um excelente administrador”; “só e somente ele é capaz de gerar o quíntuplo de empregos ao povo” (…) e, assim, por diante. Nesta mesma linha de raciocínio nos deparamos com o ‘guru’ (conforme expressão utilizada pelo meu colega blogueiro Bezerra numa acalorada explosão de desmistificação sobre a verdadeira intenção do aloprado agrupamento político da extrema-direita) num dos grupos de compartilhamento chegou a dizer ipis literis: “A campanha contra Francisco Nagib, feita pelos adversários, é de ódio. A nossa campanha será feita de idéias. Vamos vencer com o povo”. Em seguida, o Bezerra interroga o ‘guru’: “Ideias e vcs tem”? E numa sapiência de dar inveja a qualquer mero mortal, o ‘guru’ arremata: “Sim, muitas. Na convenção será lançada a carta compromisso com o município. Na campanha apresentaremos o plano de governo. Vamos para a campanha com propostas concretas. Essa é a razão da candidatura de Francisco Nagib”. Sobre este episódio tenho e devo fazer uma intervenção de ordem explicitamente política e retirando o véu que encobre a tática da extrema-direita na obsessiva e incansável vontade de se apoderar do poder político e, desse modo, consolidar seu antigo projeto: dominar política e economicamente o município de Codó sob a batuta férrea do instinto privatista.

Vamos por parte: primeiro vejamos como se manifesta o “guru” quanto ao comportamento dos críticos à pré-candidatura do “garoto virtual”, ele chega ao extremo mesmo quando se apropria de uma palavra que nos últimos tempos tem sido muito disseminada pelo campo popular, progressista e seletiva contra os governos populares e democráticos: ‘A campanha feita contra Francisco (…), é de ódio (grifo meu). Não, não há uma única evidência que comprove tal afirmação. O fato concreto é que existe sim uma intensa rejeição popular não apenas ao nome do pré-candidato que o ‘guru’ defende, assim como todos que o cercam. A tarefa árdua que compete aos assessores de tentar tornar ‘a mala sem alça’ – o ‘garoto virtual’ -, em um menino bom, competente, humilde, que sangra o mesmo sangue que a grande parcela do povo oprimido sangra será bastante cansativa e, diria mesmo, quase impossível, pelo menos esta é a impressão que se tem quando se refere ao ‘garoto virtual’. Nota-se um temor e um tremor da sociedade civil quando se sugere a ideia do poder sob o comando do plutocrata empreendedorista.

Quando indagado sobre o que o agrupamento possui de ideias, o ‘guru’ foi taxativo, sereno e prático: “Sim, muitas” (…) e, no entanto, não citou uma única, porém, volta a afirmar com todo requinte de quem sabe o que sabe e muito mais sobre ideias e planos em que será publicada e distribuída na ‘convenção: “a carta compromisso com o município”. Deve ser um fabuloso, megalomaníaco e sofisticadíssimo arquétipo modelo virtual semelhante ao apresentado nas eleições de 2012, quem não se lembra daquelas fantasias mirabolantes, (as maquetes)? E, para fechar seu intelectualismo incomparável e profundamente progressista define a estratégia a ser demonstrada no percurso da campanha: “Na campanha apresentaremos o plano de governo” (…) e finalizando com chave de ouro na defesa de seu pré-candidato reafirma com seu espirito elevado: “Essa é a razão da candidatura de Francisco Nagib”, proposta (grifo meu), novamente, o ‘guru’ retoma a palavra-chave para estabelecer o que é algo diferente e novo. Na verdade, o ‘guru’ pressupõe ser o mais coerente e alvissareiro reformulador do conceito política; parecer ser o indomável líder revolucionário francês Danton (1759-1794) – dotado de uma oratória fluente, capaz de seduzir e encantar – com toda sua intelectualidade, influência e habilidade para o convencimento do público. Dito isto, vamos refinar mais ainda as insofismáveis ideias propaladas pelo ‘guru’ que, a princípio, acredita copiosamente na vitória antecipada do “garoto virtual”, e para convencer o seu oponente tem apresentado sempre o resultado de pesquisas (essa é, na realidade, a grande ideia: manipular a verdade) inclusive com publicação nos folhetins de alcance regional. O “guru” tem a tendência de ser o suprassumo da intelectualidade codoense, contudo, para que serve essa cabeça-de-minhoca, se não pode influir na decisão antecipada e já definida pela cúpula conduzida pelo multimilionário empreendedorista?

Associada à ideia das ‘muitas ideias’ – que, por incrível que pareça não se vê essas ideias, no entanto, elas serão apresentadas no decorrer da campanha, não é isso sr. ‘guru’? – está a mídia em toda sua expansão e dinamismo deplorável, por ser unilateral e tendenciosa tentando projetar de qualquer modo as virtudes do “garoto virtual”. E o discurso praguejado só tem uma única nota: a de que o “garoto virtual” é a salvação da lavoura!

A sociedade civil em sua pluralidade democrática certamente conterá esse vexame hipócrita e aleivoso, livrando-se do perigo que se manifesta de forma sorridente e agradável para o caminho da desilusão e desencanto.

O efeito das ‘muitas ideias’ que, surpreendentemente conseguem ser digeridas, repercutem contraditoriamente no imaginário de alguns sujeitos que desconhecem o sentido de um processo revolucionário; de uma agenda progressista democrática e, ingenuamente, atinam que o grande lance para o desenvolvimento de nossa cidade é eleger um membro da elite empresarial sem saber o verdadeiro conceito da atividade privada e imaginem o de público. O absurdo chega ao extremo quando há posicionamento que implica estabelecer comparações sem nexos do tipo: tirem o conglomerado industrial da cidade para ver o que acontece? Outro: a juventude precisa acreditar na juventude! Esse tipo de linguagem visa, na verdade, descaracterizar o discurso político e sua essência. Será que esses ‘notáveis’ defensores do “garoto virtual” não percebem o eterno dilema que se entroniza nesse processo político de que a figura patética do pré-candidato não exprime o desejo in verbis da comunidade? Quanto ao argumento da retirada do empreendimento industrial burguês de nossa querida cidade penso o seguinte: Note que, a fábrica para funcionar necessita da força de trabalho, isto implica afirmar a seguinte premissa menor: para poder acumular capital o capitalista precisa comprar a força de trabalho e produzir a mercadoria que, por sua vez, vai gerar dinheiro e o dinheiro vai gerar mais dinheiro (aquela máxima marxiana da circulação da mercadoria, M-D-M ou, então, D-M-D). Simplificando melhor esse conceito: uma fábrica só funciona com a mão-de-obra. Portanto, à medida que o capitalista necessita produzir capital, obviamente, necessita produzir mercadoria e para produzir necessita do trabalhador, ou seja, o capitalista depende do trabalhador para poder produzir e acumular dinheiro-capital. Essa questão do quantum de emprego gerado pela indústria não necessariamente implica afirmar que o “garoto virtual” vai ser capaz de gerar uma fatia considerável de emprego no setor público como que por encanto. A geração de emprego e renda no setor público é muito mais complexa do que simplesmente afirmar que o povo vai ter um emprego assim que o futuro gestor for conduzido ao palácio municipal. Na verdade, depende de uma gama de fatores externos, como p. e., a eliminação da crise do capitalismo globalizado e, internamente, instituir uma  política de industrialização do município  com incentivos fiscais para que haja investidores interessados em trazer industrias à nossa cidade. Mas, ao que parece, o principal conceito a ser trabalhado pelo agrupamento da extrema-direita é a doxologia meritocrática – em outras palavras, a seletividade.

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