POR JACINTO JÚNIOR: A RECONDUÇÃO DE CHIQUINHO DO SAAE À PRESIDÊNCIA DO PARLAMENTO MUNICIPAL MUDA O CENÁRIO POLÍTICO PARA 2016?

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Jacinto Júnior

A espetacular vitória do edil Chiquinho do SAAE reflete o modelo e a crise emblemática que vivencia a sociedade política conservadora. Nenhum cacique tradicional e nem mesmo a burguesia insurgente tiveram a ousadia de confrontar-se com o edil. Se houve algum movimento com essa intenção ele foi tão tímido que não repercutiu nem nos bastidores e nem no conjunto da sociedade civil. Mas o fato real é que Chiquinho do SAAE soube debelar com muita habilidade toda e qualquer articulação nesse sentido.

Ficou patente a insurgência de um novo articulador e hábil político.

O edil demonstrou, internamente, grande poder de persuasão e competência para conjugar a unidade na diversidade. Por exemplo, o apoio de outros edis que, a princípio, opunha-se à sua gestão: Carrim das Construções (PSDB) – além disso, houve duas renúncias no último momento que precedeu à votação no Plenário e segundo informações do Blog do Acélio, Chiquinho do SAAE recebeu 11 votos, isto é, 100% de apoio (é uma unanimidade) ou, seja, até mesmo o voto do mais forte e equilibrado membro oposicionista Rodrigo Figueiredo (PDT) e de seu parceiro partidário Chaguinha da Câmara (PDT) aderiram à sua candidatura.

Convêm, no entanto, refletir para além do processo eleitoral encerrado. Qual o próximo passo do reeleito presidente do Parlamento Municipal? Ele tem planos para o futuro? Quais? Será oportuno? Diante desses questionamentos quero externar meu ponto de vista sobre a possível mobilização a ser delineada por Chiquinho do SAAE no próximo biênio 2015/2016. Vamos a alguns pontos cruciais e determinantes dessa minha especulação:

  1.  Chiquinho do SAAE acalenta um sonho: a prefeitura. E, isto, não é mais nenhum segredo e muito menos um absurdo, ao contrário, mais do que nunca, agora, há espaço para suas pretensões.
  2.  Apesar de estarmos apenas a 18 meses da nova gestão de Zito Rolim, o processo eleitoral sucessório já está em curso, tem nomes já divulgados como pré-candidatos em 2016, inclusive, com acenos e incentivos do governo do estado. Mas, quando a questão é sucessão municipal há um sentimento de palidez nos semblantes dos pré-candidatos. A exceção é o reeleito presidente do poder legislativo municipal. Há em sua expressão uma vigorosa força e vontade de querer governar para os menos favorecidos. A construção de sua pré-candidatura é apenas uma questão de tempo.
  3.  A conjuntura política local inclina-se para o surgimento de vários nomes novos. Porém, nem sempre os novos nomes insurgentes são, efetivamente, comprometidos com a causa popular, com um projeto de mudança profunda, mas, superficialmente, elege prioridades não prioritárias; no entanto, há aquele que se dispõe a defender um programa democrático e mais justo para a comunidade.
  4.  Diante disso, tento evidenciar de que forma poderá haver as imbricadas tensões políticas geradas pelas diversas tendências e correntes políticas que se articulam para se apropriar do poder político e, assim, estabelecerem suas estratégias.
  5.  A reeleição do Chiquinho do SAAE é um sintoma clarividente de que é possível sua ascensão política a um patamar mais elevado.
  6.  Agora, é o momento crucial para ele se movimentar com franco objetivo de se constituir como pré-candidato e discutir com os possíveis aliados. Tarefa árdua e extremamente delicada ante as dificuldades de diálogo com velhos adversários e, também, os recentes.
  7.  Quais seriam os pontos salientes que se formariam para a sua caminhada? Primeiro, entendo ser fundamental a abertura de diálogo com os vários setores políticos, contudo, evitar o reacionarismo. Segundo trabalhar a perspectiva da unidade na adversidade. Essa tática será a mais complexa, pois o comportamento político-cultural de nossos agentes públicos são inconstantes e flexíveis – fato esse que se caracteriza mais pelo oportunismo nefando do que por uma proposta viável de mudança para a comunidade.
  8.  Esta analise tem como principal foco apontar a possibilidade de se desenhar um novo mapa político em que a direita reacionária, o conservadorismo tradicional e a extrema direita não sejam as únicas alternativas para propor um programa mínimo de governo que amplie as políticas públicas já alcançadas atualmente.
  9.  A via crucis parece ser no primeiro momento algo inimaginável, porém, é fundamental destacar o perfil político e a crescente influência que o Chiquinho do SAAE vem consolidando ao longo de seus três mandatos. Isto implica sim, tratar-se de um homem público com força para inserir seu nome como candidato capaz de governar.
  10.  Por fim, expresso minha preocupação com a extrema direita em que vai depositar suas esperanças no “pupilo” e “inexperiente” candidato, já o conservadorismo tradicional não consegue mais se firmar como liderança e não tem ainda um nome à altura para substituí-lo e, a direita reacionária, já tem preparado o seu pré-candidato para o atual pleito e o vindouro; nessa complicada corrida ao palácio municipal ainda o nome de Chiquinho do SAAE (DEM) ecoará como a possível saída. No bojo desta avaliação devo incluir no campo da esquerda ainda a possível candidatura de Pedro Belo (PCdoB) e do Profº. Celso (Psol) e de Max Tony (PTdoB). Ainda que não estejam com capacidade para uma disputa mais acirrada com as forças econômicas, mas terão a oportunidade de apresentar seus programas. O trabalho constante certamente produzirá seus frutos com o tempo. As eleições de 2016 não será uma amostra grátis e nem tampouco se caracterizará pelo amadorismo; ela refletirá o sentimento mais profundo da cobiça humana e quebra (desmedida) das regras elementares impostas pela democracia para a conquista do poder político. Ao reeleito presidente do parlamento municipal urge redimensionar sua ação e, a partir daí, desenterrar seus sonhos e acreditar na possibilidade de ser um nome que tenha uma boa aceitação social. Encerro afirmando o que disse um pensador no século XIX: “O homem faz a sua própria história…” (Marx, O 18 de Brumário de Luis Bonaparte, Boitempo editorial, p. 25; 2011).

 

Um comentário em: “POR JACINTO JÚNIOR: A RECONDUÇÃO DE CHIQUINHO DO SAAE À PRESIDÊNCIA DO PARLAMENTO MUNICIPAL MUDA O CENÁRIO POLÍTICO PARA 2016?

  1. Chico Buarque, como sempre, muito lúcido.
    O Chico é mesmo um cara admirável.

    Diz aí, Chico!

    “A VERDADE É QUE antes do PT chegar ao poder teve uma turma que ficou 500 anos mandando aqui no Brasil e esse país se tornou um paíseco de 5º mundo. Entramos na década de 80 ainda sendo uma república das bananas, governados por ridículos generais sem voto, ditadores golpistas assassinos e ignorantes, que “preferiam cheiro de cavalo a cheiro de povo“. Aí finalmente vem um partido que faz o Brasil avançar, tira nossa coleira dos USA, da um pé no traseiro do FMI, alça o país a 6ª economia do mundo fazendo o PIB saltar de 1 para mais de 2,4 trilhões em uma década, tira 50 milhões de brasileiros da pobreza, cria uma nova classe média de mais de 100 milhões com emprego, renda, carteira assinada e conta no banco… Enfim, avanços EXTRAORDINÁRIOS em uma década ! Mas a mídia, conservadora e recalcada, sabota e cria um clima de que estamos “a beira do abismo”. E tem gente que vai na onda e não lembra do nosso passado medíocre…”
    Marlon Sérgio
    O Chico é mesmo um cara admirável.

    Diz aí, Chico!

    “A VERDADE É QUE antes do PT chegar ao poder teve uma turma que ficou 500 anos mandando aqui no Brasil e esse país se tornou um paíseco de 5º mundo. Entramos na década de 80 ainda sendo uma república das bananas, governados por ridículos generais sem voto, ditadores golpistas assassinos e ignorantes, que “preferiam cheiro de cavalo a cheiro de povo“. Aí finalmente vem um partido que faz o Brasil avançar, tira nossa coleira dos USA, da um pé no traseiro do FMI, alça o país a 6ª economia do mundo fazendo o PIB saltar de 1 para mais de 2,4 trilhões em uma década, tira 50 milhões de brasileiros da pobreza, cria uma nova classe média de mais de 100 milhões com emprego, renda, carteira assinada e conta no banco… Enfim, avanços EXTRAORDINÁRIOS em uma década ! Mas a mídia, conservadora e recalcada, sabota e cria um clima de que estamos “a beira do abismo”. E tem gente que vai na onda e não lembra do nosso passado medíocre…”

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